MENUTrienal de Arquitectura de Lisboa
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19h
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Pancho Guedes nunca foi ao Japão

Debate sobre o livro

Com Pancho Guedes, as viagens multiplicam-se, sobrepõem-se, dilatam-se. Como no espaço ideal dos sonhos, não existe uma aparente articulação lógica dos itinerários. Ao virar da esquina no coração fervilhante da 5th Avenue de New York, encontra-se o Tombwa, no deserto do Namibe. Espreita-se pela janela numa casa do Soweto, e vêem-se os Hyde Park Flats de Sheffield. Pensa-se estar na Eugaria, mas é afinal a ilha maior de Ecletica. Pancho Guedes posiciona-se face a um mundo global, por onde se movimenta, como se em fragmentos de aldeias, a lembrar outras aldeias lá longe. A apresentação, em primeira mão, de registos fotográficos realizados ao longo de mais de seis décadas, apresenta perspectivas únicas de lugares espalhados pelos diferentes continentes, e revela as vertentes multidimensionais da sua obra e a universalidade da relação estética e crítica que sempre estabeleceu com o que o rodeia.


Esta conversa contou com a participação de José Luís Tavares, Lucio Magri, Eduardo Brito e Alexandre Pomar. 

José Luís Tavares (Porto, 1975)


Trabalhou como arquitecto por 15 anos em Amsterdam e no Porto. Desde 2013, estuda no programa de doutoramento em Design da Universidade do Porto, com uma bolsa de investigação da FCT - Fundação para a Ciência e a Tecnologia. É autor, com Lucio Magri, das monografias “Arménio Losa e Cassiano Barbosa” e “Pancho Guedes”, ambos da colecção Arquitectos Portugueses (Quid Novi, 2011), e, com Lucio Magri e João Faria, do livro “Pancho Guedes nunca foi ao Japão” (ESAD, 2015).

Lucio Magri (Brescia - Italia, 1973)


Estudou Design Industrial e fez o doutoramento em Arquitectura no Politécnico de Milão. Leccionou em diferentes universidades em Itália, Brasil e Portugal, e actualmente é professor na ESAD - Matosinhos.

Eduardo Brito (Guimarães, 1977)


Tem o mestrado em Estudos Artísticos, Museológicos e Curadoriais pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, onde investiga no Núcleo de Arte e Intermédia do I2ADS. Foi coordenador do Reimaginar Guimarães, projecto de arquivo de espólios fotográficos da Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura. É autor das séries fotográficas “Terras Últimas” (CCVF, 2010), “Uma Variação Veneziana” (Pianola, 2014), do texto “As Orcadianas” (Grisu, 2014) e das curtas “Antropia” (2009), “Linha” (2012) e “Terras Interiores” (2013, com Joana Gama, a partir da música de Carlos Marecos). Escreveu o argumento dos filmes “O Facínora” (Paulo Abreu, 2012) e “A Glória de Fazer Cinema em Portugal” (Manuel Mozos, 2015).

Alexandre Pomar (Lisboa, 1947)


Jornalista e crítico de arte. Trabalhou no semanário Expresso de 1982 a 2007. Organizou e prefaciou o “Catalogue Raisonné” de Júlio Pomar, vol. I e II (1942-1985), Éditions de la Différence, Paris, 2002 e 2004. Exposições: “Xana”, com Lúcia Marques, Culturgest 2005; “As Áfricas de Pancho Guedes”, com Rui M.Pereira, Mercado de Santa Clara, CML, 2010; “Grupo de Évora”, A Pequena Galeria, 2013 (também em Évora e Sines); “De Maputo”, idem, 2013; “Fantasia Africana - Exposição-Feira Angola 1938”, idem, 2014; “4 Fotógrafos de Moçambique”, Leiria (Museu da Imagem em Movimento) e Galeria Municipal de Almada. Co-autor do filme “Solar dos Jorges”, 2014, com Tiago Pereira.