MENUTrienal de Arquitectura de Lisboa
Data
05 OUT 2016 - 12 DEZ 2016
Edição
Álbum
The Form of Form
Equipa
André Tavares e Diogo Seixas-Lopes
Website
Informação adicional

Locais: MAAT, Fundação Calouste Gulbenkian, CCB - Garagem Sul, entre outros

2016

The Form of Form

O mundo transforma-se através da arquitectura. Sob o título A Forma da Forma, e dirigindo-se a uma audiência nacional e internacional, o objectivo da 4ª edição da Trienal de Lisboa é estimular e aprofundar o debate em torno de um largo espectro de posições contemporâneas sobre a prática da arquitectura, ou seja, sobre a forma como o mundo se transforma. Articulando um programa diversificado, pretende vincar linhas de pensamento acutilantes para a produção da arquitectura num contexto social em rápida transformação.

As diferentes posturas perante a arquitectura serão apresentadas em várias frentes, nomeadamente através dos seus aspectos estéticos, técnicos, sociais e políticos. Entender a prática da arquitectura como uma profissão empenhada num contexto social complexo permitirá desenvolver as implicações e possibilidades das decisões arquitectónicas, sublinhando a sua relevância técnica e cultural na sociedade.

Estruturada a partir de quatro exposições nucleares, a programação vai realçar os desafios que os arquitectos enfrentam nos dias de hoje. As quatro exposições dialogam entre si: da autoria, da concepção e do universo visual em que as formas da arquitectura se movem (A Forma da Forma), passando pelo processo a que as formas concebidas são sujeitas no momento decisivo do estaleiro de construção (Obra), às circunstâncias críticas da transformação da paisagem (Sines: Logística Costeira) até à representação da cidade e aos usos a que as formas construídas se oferecem (O Mundo nos Nossos Olhos). E esse diálogo desdobra-se nas exposições satélites e nos projectos associados que vão complementar a diversidade de olhares e conteúdos propostos nesta edição da Trienal.

André Tavares & Diogo Seixas Lopes

A Forma da Forma

Um legado fundamental da arquitectura é a sua própria forma. Não só a história se constrói a partir desse universo visual, mas a forma é também uma linguagem comum que agrega arquitectos de todo o mundo em torno de uma conversa colectiva. Nesta exposição, a partir de um arquivo potencialmente infinito, três arquitectos constroem um diálogo que desafia as noções de autoria e os limites da forma.

Mariabruna Fabrizi e Fosco Lucarelli são convidados a construir uma reflexão a partir de uma selecção de exemplos provenientes da plataforma Socks (www.socks-studio.com), fundada pelos próprios, realçando a permanência da forma e a sua capacidade para condensar um conjunto de valores em qualquer coisa visível. O formato de Socks foi evoluindo ao longo dos anos, partindo da ideia de uma revista online até se tornar numa base de especulação e discussão que tira partido dos projectos de arquitectura do atelier Microcities.

Funcionando como uma “conversa,” a narrativa da exposição articula-se em torno de vários espaços que nascem de alguns dos projectos de arquitectura de Johnston Marklee, Nuno Brandão Costa e Office KGDVS, responsáveis pelo projecto expositivo. Cada um dos espaços destina-se a receber os conteúdos seleccionados a partir da extensa base de dados de Socks.

A linguagem da arquitectura será explorada através da amostragem de desenhos construtivos, intervenções na paisagem, padrões urbanísticos, pesquisas artísticas, entre outros. Com origem em diferentes épocas e regiões do mundo, o conteúdo destaca as permanências e variações bem como marca as analogias e afinidades na criação de ambiente construído. Organizada a partir de doze espaços interligados, cada um irá integrar imagens ligadas a um núcleo, articulando-se numa continuidade de trabalhos que se relacionam por afinidade ou oposição.

Com curadoria de Diogo Seixas Lopes, a exposição A Forma da Forma é também um processo. O resultado final visa ser um “espaço de encontro” capaz de demonstrar o significado da forma no passado, no presente e no futuro do desenho de arquitectura.

Obra

Tal como as formas da arquitectura determinam a organização do estaleiro de obra, as tecnologias e a estrutura económica com que a sociedade organiza os seus modos de produção condicionam, e estimulam, a concepção do projecto.

Da comunicação entre projecto e obra, da organização do tempo e do dinheiro, até à retórica política ou à excitação tecnológica, é na obra que tudo se joga.

O trabalho dos arquitectos serve de ferramenta para contrabalançar a ansiedade do cliente perante muitos factores, ou a necessidade de conjugar prazos de construção e optimização de custos com padrões de qualidade. Numa obra, muitos interesses requerem negociação e o papel da arquitectura desenrola-se transformando projectos em edifícios. Até que ponto as recentes transformações na indústria da construção e na organização da obra transformam a prática da arquitectura?

A exposição está organizada em módulos, articulados por um fio condutor, que correspondem a exemplos que servem de âncoras para revelar diferentes abordagens.

Um dos casos de estudo é apresentado em co-curadoria com o CCA – Canadian Centre for Architecture. Partindo do arquivo profissional de Cedric Price, o módulo foca um relatório que produziu nos anos 70 tendo em vista a melhoria das condições de trabalho nos estaleiros e que permitiu consolidar um olhar original sobre as formas de organização da indústria da construção. Outro exemplo – apresentado em parceria com a Cité de l’Architecture et du Patrimoine – é um olhar sobre a estrutura empresarial de François Hennebique que, no final do século XIX e dominando a técnica da construção em betão armado, abriu caminho à concentração do saber técnico.

O carácter histórico destes exemplos proporciona leituras cruzadas sobre as problemáticas que os estaleiros de obra levantam, e a exposição propõe uma reflexão sobre as transformações e desafios dos estaleiros de obra contemporâneos – e do seu impacto na prática da arquitectura.

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